Ronaldo, 41 anos, paulistano que saiu das ruas e hoje ajuda pessoas que vivem a mesma realidade que ele vivenciou.

Para contar como o Ronaldo se tornou voluntário do Grupo Mãos Estendidas, é preciso retornar ao momento em que ele voltou a morar com os pais quando se separou de sua esposa. “Eu já estava numa idade mais avançada e voltar a morar com pai e mãe não deu certo”, conta Ronaldo.

Há um quarteirão de distância da casa dos seus pais existia um abrigo e Ronaldo optou por ficar lá. O susto foi a primeira impressão que ele se recorda, pois esses lugares “têm pessoas de vários tipos: alcoólatras, viciados em drogas e criminosos também”, desabafa.

A visão que Ronaldo tinha do ser humano começou a mudar naquele momento, a partir do contato com pessoas que possuíam mais problemas do que ele já havia vivenciado.

Um amigo de Ronaldo, que veio a falecer tempos depois, foi quem o apresentou a nossa ONG. Ainda recém-chegado, o paulistano começou a frequentar o nosso espaço em alguns momentos. “Para ser sincero, não gostei de início, porque percebi que eu perdi a referência de mim mesmo”, afirma Ronaldo.

Grupo Mãos Estendidas

Quando pessoas marginalizadas passam a ser cuidadas por instituições sem fins lucrativos, nós enquanto ONG passamos a responder por elas, e essa questão incomodava o Ronaldo. “Mas por outro lado, me deparei com pessoas boas, com o intuito de me ajudar e isso resgatou o meu lado humano”, declara Ronaldo.

O paulistano de 41 anos queria ser ajudado, queria aprender a gostar de si mesmo e sair da situação que se encontrava. Quando o desejo de ajudar coincide com a vontade de ser ajudado se torna possível a transformação e ressocialização.

Através do apoio de voluntários, Ronaldo deu um outro rumo a sua vida, hoje ele está do outro lado ajudando que mais precisa. “O ganho pra quem ajuda é muito maior, não tem preço que pague o que eu aprendo ajudando essas pessoas”, aponta Ronaldo.

Assim como a vida do paulistano Ronaldo foi transformada pelo carinho de pessoas do Grupo Mãos Estendidas, outras vidas também podem ser. Pessoas importam, pessoas transformam pessoas e investir nelas é um ato de amor.